Tratado de Sociologia
Estava em casa a ler um tratado de sociologia interessantíssimo quando tocou a campainha. Fiquei contrariado, estava tão embrenhado naquele estudo que não me interessava nada estar a ser interrompido. Levantei-me e fui abrir a porta.
Quando abri entrou sem mais, dizendo.
– Vim mostrar-te uma coisa.
Deixava no ar um perfume doce, provocador. As roupas leves e suaves que vestiam realçavam aquele corpo ondulante, sempre apetecível. No entanto, naquele momento apetecia-me mais o tratado de sociologia, estava a tirar muito mais prazer daquela leitura que qualquer acto físico que poderia advir daquela visita, mas não o demonstrei. Preparava-me já psicologicamente para cumprir o ritual. Ela estava ali certamente para passar umas duas horas na minha cama, onde começaríamos por foder animalesca mente. Animalesca mente por isso mesmo, pois seria como se fossemos animais. Não haveria lugar a palavras. Foderíamos porque nos apetecia tão-somente e não o escondíamos. Depois ficaríamos abraçados na cama enquanto conversaríamos sobre as mais variadas coisas. Desde alguma exposição feita por algum amigo nosso ou até do tempo, não havia regras...
Estava com estes pensamentos quando reparo que ela está provocadoramente sentada no sofá, de pernas cruzadas, deixando vislumbrar as suas pernas bem torneadas, ornamentadas com as ligas habituais, habitualmente provocadoras, era o sinal do que estava para acontecer de seguida.
Ela deixou que eu fizesse o filme, que eu, qual cão de Pavlov, começasse a salivar para então se levantar.
- Não meu querido, hoje só vim provocar, hoje vou sair com o Filipe. A Joana disse-me que ele fode maravilhosamente. Achas que ele vai resistir muito?
Ainda meio surpreendido respondi:
- Não, acho que não. Está matadora.
- Lamento meu querido, mas hoje não vais ter direito a nada.
Fingi também lamentar com um encolhimento de ombros.
- Bem vou-me embora – Disse ela.
- Adeus. Por favor, fecha a porta quando saíres – Respondi eu....
Ela saiu com o seu habitual andar bamboleante, com o sentido de missão cumprida. De que me tinha posto a babar com um doce para logo o tirar da frente.
Eu,... ainda ela ia no hall de entrada já estava de novo a pegar no meu tratado enquanto pensava – A importância fútil que o corpo tem p’ra esta gente nova...

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