Friday, February 18, 2005

Upper Garden II

Da conversa formal que mantivemos fiquei a saber que se chama Lou. Perguntei-lhe como tinha ido para àquela festa, mudou de assunto dizendo que estava muito calor, percebi, não era altura ainda para saber coisas sobre ela. Daí a mais um pouco insistiu que estava calor, finalmente compreendi, ela queria sair dali. Disse-lhe para irmos para a varanda onde estaria mais fresco, a festa estava no auge e ela acedeu...

Fomos para a varanda. Quando chegámos ela debruçou-se sobre a varanda, eu pus-me ao lado dela, conversava-mos tendo a cidade como pano de fundo, falava-mos sem nos olharmos, falávamos em modo automático, conversávamos, participávamos no mesmo jogo, mexíamos as peças. Até que num momento, já não sei ao certo do que falávamos, criou-se um momento de silêncio, olhámo-nos, olhos nos olhos, foi instantâneo, no momento seguinte já as nossas línguas se estavam a tocar. Ela passou a mão pelo meu cabelo enquanto me beijava, quase que parecia um beijo sincero, verdadeiro, mas lembro-me de pensar: não pode ser, ela é muito boa nisto, é a criadora de sonhos perfeita...