Upper Garden
“Tens que vir, não aceito um não como resposta. Foram as última palavras que o Jaime me disse ao sair do escritório. Tinha-me dito que naquela noite iria dar uma festa no Upper Garden. Com a sua mania das grandezas de onde não tem mais onde gastar o dinheiro tinha alugado para a sua festa particular a mais luxuosa discoteca da cidade. Já sabia de antemão o que iria encontrar e não me apetecia ir, mas realmente ele não recusava um não e, afinal de contas, ele era dono de metade da cidade, tinha e ir.
Cheguei a casa já tarde, felizmente ainda encontrei o jantar no forno. Santa D. Vera - pensei relativamente à empregada - tinha de comer pois a noite iria ser longa. Após
tomar um duche, vesti o smoking e rumei ao Upper Garden. Entrei sozinho. À entrada os
gorilas habituais pediram pelo convite, uma extravagância do Jaime, um cartão dourado
com um brasão (supostamente da família do Jaime) a pender. Tinha-mo deixado em cima
da secretária quando bateu com a porta.
Entrei e deparei-me com o esperado. Um desfile de putas reluzentes. Sabia a história
de algumas outras nem conhecia. Mas davam sempre muito jeito, ficam muito bem ao lado
de um homem de negócios e não se importam de viajar, especialmente se for para Monte
Carlo, Paris ou Londres, sempre fazem companhia. A festa tinha já começado, a pista
estava cheia de vestidos de corpos para todos os gostos, todos apetecíveis. Dirigi-me
ao bar e pedi por um vodka-martini e virei-me para apreciar a pista, os lances que se
estavam a desenrolar, quem estava ao ataque... Nisto aparece-me a Beatriz.
Beatriz fora a minha “acompanhante” na minha última viajem a Copenhaga. Foram dias maravilhosos. Um corpo daqueles faz parecer qualquer cidade fria e cinzenta o mais alto dos céus. Não me poderei esquecer todo o prazer que aquele corpo podia proporcionar, e ela sabia disso...
Mas como sempre estava a tornar-se enfadonha.
Ao chegar beijou-me, eu assenti. - Apetece-me dançar, anda. - Segui-a sem vontade. Estávamos a dançar nem ainda a 5 minutos quando um tipo de t-shirt verde e calças ao xadrês (mais um dos amigos do Jaime) que dançava como um professional com uma mulher que não conhecia se virou para nós e gritou - Bêá, tenho de falar contigo. É urgente. - Nisto virou-se para mim e disse-me já mais baixo em tom de confidência – Empreste-ma por um momento - De seguida agarrou na Beatriz a dançar muito juntinho aos cochichos. Fiquei a olhar para a mulher que estava a dançar com ele, sorri, e convidei-a a continuar a dançar comigo. Ela assentiu. Trazia um vestido que deixava observar o seu corpo em toda a plenitude. Via-se que havia ali um toque divino. À medida que a música avançava apertei-a mais junto a mim para poder sentir aquele peito junto ao meu, no entanto mantinha-mos uma conversa formal. Notei que não ficou minimamente perturbada com a troca. Deve ser profissional, pensei...”


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